O melhor afrodisíaco para a mulher são as palavras.
Isabel Allende
Quero entender o alcance das palavras que hoje cuidam de mim: te amo. Nessa epifania do mar profundo, dou-lhe meu corpo, refúgio último da alma a ser tocada com ternura, para que meu amado se encontre, me encontre e respiremos juntos na mesma pulsação sem variação de dores ou dúvidas. É quando nada precisa ser dito — não porque exista um silêncio ressentido —, mas há o entendimento harmonioso dos que se apaixonam e embarcam com tranqüilidade nesse navio a dois. Posso sentir seu rosto? Como devo tocá-lo? E criamos vocábulos novos — de uma linguagem próxima a nós e desconhecida a todos. Somo minha metade à sua para gozar o que aparenta fero, mas verte delicado: respiração ofegante, mãos que simulam força, corpos em arcos, raio que fulmina, sumo dos oceanos, a fragrância irada dos amores... Seu coração bate junto ao meu, descompassado é verdade, depois de fazer uma obra em mim nesse círculo mágico onde nos colocamos... nessa união total, ainda que impossível, amor é transbordamento e quero essa alegria permanente. Por isso não entendo que quem ama queira ser plural e freqüente outros corpos: fidelidade é história que se repete, cada vez com mais encanto, sentimentos antigos sempre renovados e uma voz que nunca se perde, apesar de envelhecer. Sem lealdade não se celebra porque amor é firmeza, ponto máximo de segurança, raízes fincadas, um novo mundo no mundo, impenetrável para o que é estrangeiro, rocha que não se parte fustigada por águas meigas. O amor tem leveza onde é denso e dele só tenho claridades.